
Dia Nacional dos Avós

Pelo reconhecimento do papel fundamental dos avós ao nível da família e da sociedade em geral comemora-se hoje o Dia Nacional dos Avós. O dia é celebrado desde 2003 e a data foi escolhida por que é também o dia de Santa Ana e de S. Joaquim, pais de Maria, avós de Jesus Cristo e padroeiros de todos os avós. Em Portugal, a instituição do Dia Nacional dos Avós no Parlamento tem em conta o "reconhecimento do papel fundamental dos avós ao nível mais restrito da família, quer no plano mais alargado da sociedade em geral".
Partilho com vocês um texto redigido por uma criança de 8 anos:
São as Nossas Paixões que nos Irritam
Contra as dos Outros
São as nossas paixões que nos irritam contra as dos outros;
é o nosso próprio interesse que nos leva a odiar os maus;
se estes não nos fizessem nenhum mal, sentiríamos por eles mais piedade que ódio.
O mal que os maus nos fazem leva-nos a esquecer o mal que se fazem a si mesmos.
Perdoar-Ihes-íamos com mais facilidade os seus vícios se pudéssemos saber quanto os seus próprios corações os castigam.
Sentimos a ofensa e não vemos o castigo;
as vantagens são aparentes, o sofrimento é interior.
Aquele que crê gozar do fruto dos seus vícios não se sente menos atormentado do que se o não tivesse conseguido;
o objecto muda mas a inquietação é a mesma;
por mais que evidenciem a sua fortuna e escondam o seu coração, o seu comportamento demostra-o, mesmo sem que o queiram:
mas, para nos apercebermos disso, é preciso que não tenhamos um coração semelhante.
As paixões que nos dividem seduzem-nos;
as que chocam os nossos interesses revoltam-nos, e, por uma inconsequência que nos vem delas, criticamos nos outros o que desejaríamos imitar. A aversão e a ilusão são inevitáveis, quando somos obrigados a suportar, por parte de outrém, o mal que faríamos se estivéssemos no lugar dessa pessoa.
Então, que seria preciso para bem observar os homens?
Um grande interesse em conhecê-los, uma grande imparcialidade ao julgá-los, um coração bastante sensível para conceber todas as paixões humanas e suficientemente calmo para não as experimentar.
(Jean-Jacques Rousseau, in 'Emílio')