

Lembro-me como se tivesse sido ontem...
Palavras ditas sem pensar,
palavras que nos atingiram e nos magoaram,
que chamaram à nossa presença o arrependimento de tudo o que foi vivido a dois.
Senti-me vazia e pedi que te afastasses...
Em simultâneo percorreu-me o corpo o medo do teu Adeus,
deixando notar o desejo de sentir-te
nem que fosse por mais um momento apenas.
Concedeste-me esse tempo e, com ele,
revivi as palavras antes ditas, uma por uma...
O tempo deu-me a oportunidade de me aperceber o quanto me fazes falta,
que só o medo de te perder me fez despertar
e acreditar que vale a pena continuar...
Hoje, ainda sinto em mim o beijo que selou o nosso compromisso,
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Palavras e promessas
Palavras...tantas!
Ditas com fervor,
Nos momentos de amor,
As quais, mais me fizeram te amar!
Palavras...
Que se desvaneceram com o tempo,
Ditas sem pensar?
Promessas...tantas!
Juras feitas sem jurar,
Apenas entendidas por um simples olhar,
Promessas...
Que o tempo apagou?
E o amor...onde ficou?
(Fátima Rodrigues)

Estou sempre em ti…
Ainda que pressuponhas que a distância e a ausência que muitas vezes nos aparta levam de mim o aroma de tudo o que já partilhámos.
Ainda que penses que as minhas mãos em certos momentos ensaiam acenos e despedidas… continuo aqui, serenamente, à tua espera.
Ainda que, não estando tu sempre presente, consigo sentir o doce sussurro da tua voz a cada madrugada, lembrando-me que sempre fui tua, mesmo antes de te amar.
E na soma de todas as minhas certezas, sei que o teu caminho é aquele que te traz sempre para mim.
(Sussurros da Lua)

O poema me levará no tempo
Quando eu já não for eu
E passarei sozinha
Entre as mãos de quem lê
O poema alguém o dirá
Às searas
Sua passagem se confundirá
Como rumor do mar com o passar do vento
O poema habitará
O espaço mais concreto e mais atento
No ar claro nas tardes transparentes
Suas sílabas redondas
(Ó antigas ó longas
Eternas tardes lisas)
Mesmo que eu morra o poema encontrará
Uma praia onde quebrar as suas ondas
E entre quatro paredes densas
De funda e devorada solidão
Alguém seu próprio ser confundirá
Com o poema no tempo
Sophia de Mello Breyner Andresen
(Imagem: Poem With Out Words by No Secrets)