


As pessoas afivelam uma máscara, e ao cabo de
alguns anos acreditam piamente que é
ela o seu verdadeiro rosto. E quando a gente
lha arranca, ficam em carne viva, doridas e
desesperadas,
incapazes de compreender que o gesto violento
foi a melhor prova de respeito
que poderíamos dar.
(Miguel Torga)


Envelheço, quando me fecho para as novas ideias: e me torno radical.
Envelheço, quando o novo me assusta. E minha mente insiste em não aceitar.
Envelheço, quando me torno impaciente, intransigente e não consigo dialogar.
Envelheço, quando meu pensamento abandona sua casa. E retorna sem nada a acrescentar.
Envelheço, quando muito me preocupo, e depois me culpo por não ter tido tantos motivos para me preocupar.
Envelheço, quando penso demasiadamente em mim mesmo e consequentemente me esqueço dos outros.
Envelheço, quando penso em ousar e já antevejo o preço que terei que pagar pelo ato, mesmo que os fatos insistam em me contrariar.
Envelheço, quando tenho a chance de amar e deixo o coração e se põe a pensar.
Será que vale a pena correr o risco de me dar?
Será que vai compensar?
Envelheço, quando permito que o cansaço e o desalento tomem conta da minha alma e me ponha a lamentar.
Envelheço: Enfim quando, paro de lutar.
O acaso é a vontade de Deus.
Que ele não assina.
(Reinilson Câmara)